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Opinião

Nem todos serão MCs...

Colunista: Gilponês

Data: 29/04/2010


Quando o hip-hop "fisga" um novo adepto, geralmente o processo costuma ser o mesmo: a pessoa (muitas vezes, ainda criança ou adolescente) se impressiona com a manifestação artística que vê ou ouve e deseja fazer o mesmo. Fica fascinada com os traços mágicos de um bom graffiti, os movimentos acrobáticos de algum b.boy ágil, os riscos hábeis de um DJ ou as rimas certeiras e inteligentes de um MC. Tal encanto costuma ser arrebatador!

Daí a querer fazer parte da cultura hip-hop, tudo ocorre de forma rápida. "Entrei pelo seu rádio, tomei, cê nem viu", diria Mano Brown, no caso do rap. E o novo "convertido" pelo hip-hop passa a querer seguir os passos do DJ, MC, b.boy ou grafiteiro que o inspirou. Compra roupas, imita os trejeitos, aprende (ou aperfeiçoa) o "dialeto das ruas", enturma-se com outros adeptos e... continua faltando alguma coisa.

Os que "vencem" no hip-hop não possuem só o dom ou talento, qualidades que, em muitos casos - na minha opinião -, nascem com a pessoa. Acredito que existem os predestinados no hip-hop, pessoas que vieram ao mundo para cantar, tocar, dançar ou grafitar, e que não seriam capazes de fazer nenhuma outra coisa tão bem quanto tais expressões artísticas. Alguns raros privilegiados, mais iluminados, nascem com mais de um destes "dons" altamente desenvolvidos.

Mas não é só de talento que brota o hip-hop. Para quaisquer das quatro manifestações mencionadas, é muito importante que o conhecimento (o "quinto elemento") esteja presente. Para tanto, é preciso estudar, adquirir e aperfeiçoar habilidades, buscar segundas e terceiras formas de enxergar e viver a arte, trocar experiências, compartilhar conhecimentos... Esse é o combustível que alimenta o hip-hop e o faz desenvolver-se e evoluir.

Porém, é preciso reconhecer que nem todos no hip-hop serão MCs, DJs, b.boys ou grafiteiros. Nem todos os adeptos terão qualidade para passar pela peneira, cada vez mais rigorosa, de tais manifestações artísticas. E, mesmo numa suposição utópica de que todos tenham talento à altura, nunca haverá espaço suficiente para todos os milhões de jovens brasileiros que sonham em viver do hip-hop, seja cantando ou tocando rap, dançando breaking ou fazendo graffiti.

Com a consolidação da cultura hip-hop, o profissionalismo se faz cada vez mais necessário, em todos os sentidos. E esta nova realidade exige que, além dos agentes artísticos, a cultura de rua também tenha seus próprios profissionais em outras áreas. Infelizmente, poucas pessoas perceberam isso.

O hip-hop brasileiro precisa, também, formar seus próprios engenheiros de som, designers, coreógrafos, cenógrafos, maestros, figurinistas, estilistas e produtores culturais. Precisa de jornalistas, escritores, cineastas, fotógrafos, relações públicas, profissionais de marketing e assessores de imprensa. Acima de tudo, o hip-hop precisa de advogados, administradores de empresas, economistas, professores, pesquisadores, historiadores e até parlamentares, entre inúmeras outras funções.

Para combater o tal "sistema" não é preciso ignorá-lo, mas sim usá-lo a favor dos princípios em que se acredita, ou seja, tomá-lo de assalto - no melhor sentido da palavra, segundo o conceito da verdadeira malandragem (estudar e trabalhar). E, com mais de duas décadas de existência no Brasil, o hip-hop não pode mais se portar como criança ingênua e birrenta, que recusa a mamadeira mas não quer aprender a usar talheres. A maturidade exige profissionalismo e isso se faz com seriedade, qualificação, conhecimento de causa e jogo de cintura. Enquanto agir de forma amadora, o hip-hop nunca será levado a sério como sempre desejou.

Alguns agentes do hip-hop já perceberam que nem todos serão MCs, DJs, b.boys ou grafiteiros. Estão atentos à importância de trabalhar o verdadeiro sentido da palavra profissionalismo, sem que, para isso, tenham de vender suas almas, prostituir seus ideais ou jogar no time oposto - como fazem uns poucos pseudo-profissionais do jogo. Outros ainda se alimentam da ilusão de que o mundo só precisa de quatro - e não cinco - elementos para buscar melhorias.

No rap, no breaking ou no graffiti, o conhecimento é o elemento mais importante para que a cultura de rua alcance sua ascensão e o tão desejado reconhecimento/respeito.
Nessa ´guerra fria´ do século XXI, "o estudo é o escudo", como bem versou o poeta GOG. Além disso, também é bom frisar que nem todos serão generais. Palavras de mais um soldado...

PAZ a todos/as!!!

Comentários

Foram localizado(s) 13 comentário(s)


Para combater o tal "sistema" não é preciso ignorá-lo, mas sim usá-lo. Só dessa forma mesmo o hip hop vai ser respeitado. Aos que fazem parte dele que reflitam bem essa opinião do Gilponês, pois aqui está esclarecido o caminho.

Por: Washington Silva - Em: 31/07/2010 20:22:32


é véro... os exemplos andam distantes dos olhares...

Por: criolo doido - Em: 05/07/2010 13:13:43


Idéia responsa cara.

Por: Mineiro MC - Em: 23/05/2010 08:22:21


Excelente.E isso serve pra outros movimentos culturais também!!!!!!!!!!

Por: DJ Zonattão - Em: 01/05/2010 20:33:20


Sensacional, essa parada pode ser a vida de muita gente, sem que todos sejam os artistas umsó...

Por: Logri - Em: 30/04/2010 19:54:28


Parabéns, Gilponês! Texto bastante lúcido e extremamente necessário ao momento pelo qual o Hip Hop brasileiro passa!

Por: Fernando Gomes - Em: 30/04/2010 17:17:58


Salvê!!! Sempre cobramos dos outros o respeito que na verdade deveriamos impor. Mas como impor esse respeito senão traçarmos as nossas diretrizes, os nossos planos e nos organizarmos? Enquanto nós não nos profissionalizarmos de fato, o Hip Hop vai ser sempre encarado como uma cultura adolescente em fase de crescimento e que não merece respeito. Como exigir algo de alguém, se as vezes nós mesmos não preservamos os nossos princípios mais básicos? As vezes penso cá comigo mesmo, mexendo com os meu botões, que o Hip Hop se enveredou por caminhos obscuros por desprezarmos o seu elemento primordial, que é o conhecimento. Quem não conhece a sua história não pode preservar os seus valores, e nem transmiti-los aos próximos adeptos, ou o que é pior! transmiti-los de forma desvirtuada. Paz!!!

Por: Paulo Brazil/STN-Amante do Vinil !!! - Em: 30/04/2010 08:01:39


Engraçado que ainda na terça-feira me perguntaram, durante uma palestra, como eu faço parte do hip hop se não sei cantar, dançar, graffitar ou arranhar discos. Respondi que faço o que sei: comunicação e que pratico o elemento "desconhecido" e "ignorado" por pelo menos 90% dos adeptos: o conhecimento. Eu gostei muito do artigo porque mostra, com simplicidade e de forma clara a importância do 5º elemento, que é o mais importante de todos e que os demais não existiriam se não fosse por ele. Acredito, piamente, que o hip hop precisa também, cada dia mais, de profissionais. E os melhores. Resta disseminar esta ideia por meio do conhecimento agora. parabéns pelo texto ! beijos

Por: Jéssica Balbino - Em: 29/04/2010 17:31:21


É ISSO MESMO VAMOS TRABALHAR DE FORMA CONSTRUTIVA E NÃO APENAS EXPRESSIVA, SE ALGUEM EXPRESSA A ARTE UM OUTRO ALGUEM PRODUZIU AQUELE MOMENTO, ATÉ MESMO A BATALHA DA STA CRUZ QUE NÃO REQUER NENHUM TIPO DE ESTRUTURA PRECISA DE ARTICULAÇÃO ISSO JÁ É PRODUZIR... PARABENS PELO TEXTO ESPERO QUE A NOVA GERAÇÃO E A VELHA DO HIP HOP LEIAM ISSO E ASSIMILEM.... TO NESSA

Por: DJ BIG EDY - Em: 29/04/2010 15:58:15


Sem palavras, é simplesmente isso! Tá difícil, a molecada não abre o olho pra essas coisas... principalmente pra que 'Enquanto agir de forma amadora, o hip-hop nunca será levado a sério como sempre desejou.' é exatamente isso, o hip hop é gigante, mas as vezes o próprio público apequena nossa cultura.

Por: L Felipe - Em: 29/04/2010 14:36:58


muito bom. É o quinto elemento...Fico impressionado com a qualidade e reflexão das opiniões dos comentaristas da central. 1000 grau.

Por: leandro cristino - Em: 29/04/2010 13:06:34


Concordo plenamente!!! Pessoas como o Pedro Gomes por exemplo, que colaboram diretamente para que o RAP (Hip-Hop) tenha uma imagem mais profissional, sem perder sua essência para se tornar "comercial" sabe... Informação gera um conteúdo, e realmente esses que procuram se atualizar é que ganham atenção dos adeptos da verdadeira cultura! Abração e parabéns pelas palavras !

Por: Johnny Germano Sousa - Em: 29/04/2010 12:49:25


Sensacional Gil, sabias palavras.. Acredito que a vontade de conhecer é a engrenagem para que todos os outros elementos evoluam e cheguem ao resultado esperado. Um só.. Bgame

Por: Bgame - Em: 29/04/2010 11:48:50



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